As figuras de linguagem são como temperos na cozinha da comunicação: transformam o simples em especial, o comum em memorável, o informativo em artístico. Dominá-las não é apenas um conhecimento acadêmico, mas uma habilidade prática que pode elevar sua escrita profissional, criativa e até mesmo cotidiana.
O que são figuras de linguagem e por que elas importam
Figuras de linguagem são recursos expressivos que usamos para dar mais força, beleza e criatividade à linguagem. Elas vão além do significado literal das palavras, criando efeitos especiais de sentido, som ou construção.
Imagine tentar descrever a tristeza profunda apenas com palavras comuns. Agora compare com “Era um nó na garganta que não passava”. A diferença é perceptível, e essa é a magia das figuras de linguagem.
Figuras de pensamento: quando as ideias se transformam
Estas são algumas das figuras de linguagem mais poderosas, pois trabalham com o conteúdo semântico das palavras:
- Comparação ou símile: Estabelece semelhança explícita usando “como”, “tal qual”, “parece”. Exemplo: “Ela corria como uma gazela”.
- Metáfora: A mais famosa! Cria semelhança implícita, sem conectivos. Exemplo: “Seus olhos eram dois oceanos de tristeza”.
- Metonímia: Substitui uma palavra por outra com relação de proximidade. Exemplo: “Li Machado de Assis” (autor pela obra).
- Sinédoque: Parte pelo todo ou todo pela parte. Exemplo: “Preciso de mais braços” (parte pelo todo – braços por pessoas).
- Antítese: Oposição de ideias. Exemplo: “O amor constrói, o ódio destrói”.
Figuras de palavras: jogando com os significados
Estas figuras trabalham com o significado individual das palavras:
- Catacrese: Uso de uma palavra fora do seu sentido original por falta de termo específico. Exemplo: “dente de alho”, “braço da cadeira”.
- Perífrase: Expressão mais longa para evitar nome direto. Exemplo: “A cidade maravilhosa” por Rio de Janeiro.
- Eufemismo: Expressão mais suave para algo desagradável. Exemplo: “Ele partiu” em vez de “Ele morreu”.
Figuras de sintaxe: a arte de construir frases
Aqui a beleza está na estrutura das orações e na organização das palavras:
Elipse, zeugma e polissíndeto
A elipse omite termos facilmente subentendidos: “Ele foi ao mercado; eu, ao cinema”. O zeugma é uma elipse mais elaborada: “Ele gosta de música clássica; ela, de rock”. Já o polissíndeto usa repetição de conectivos: “E estudava, e trabalhava, e cuidava da casa”.
Anáfora e paralelismo
A anáfora repete palavras no início de frases: “Vim, vi, venci”. O paralelismo mantém estrutura sintática semelhante: “Uns choram, outros riem; uns perdem, outros ganham”.
Figuras de som: quando as palavras têm música
Estas figuras trabalham com a sonoridade das palavras:
- Aliteração: Repetição de sons consonantais. Exemplo: “O rato roeu a roupa do rei de Roma”.
- Assonância: Repetição de sons vocálicos. Exemplo: “Só o sol, sozinho, tão só”.
- Paronomásia: Palavras com sons semelhantes mas significados diferentes. Exemplo: “Conhecer as armas e amar as almas”.
Mitos e verdades sobre figuras de linguagem
Mito 1: São apenas para literatura
Muitos acreditam que figuras de linguagem pertencem apenas ao mundo literário, mas isso é um equívoco. Jornalistas, publicitários, redatores, palestrantes e até mesmo profissionais de negócios usam essas ferramentas diariamente para tornar suas comunicações mais impactantes.
Mito 2: Quanto mais, melhor
A verdade é que o excesso de figuras de linguagem pode tornar um texto artificial e difícil de entender. Como qualquer tempero, devem ser usadas com moderação e bom senso.
Verdade 1: Elas melhoram a memorabilidade
Frases com figuras de linguagem bem aplicadas são mais fáceis de lembrar. É por isso que slogans publicitários e discursos marcantes quase sempre contêm alguma figura retórica.
Verdade 2: São universais
Praticamente todas as línguas possuem figuras de linguagem similares, embora algumas sejam características específicas de cada idioma. No português, temos riquezas particulares que valem a pena explorar.
Erros comuns ao usar figuras de linguagem
Misturar metáforas
Um erro frequente é combinar metáforas que não fazem sentido juntas. Por exemplo: “Navegamos pelo mar das oportunidades com os pés no chão”. As imagens se contradizem.
Clichês desgastados
Usar figuras de linguagem batidas como “branco como a neve” ou “forte como um touro” pode soar pouco criativo. O ideal é buscar originalidade.
Forçar o uso
Inserir figuras de linguagem onde não são necessárias só para parecer mais literário resulta em textos artificiais. Elas devem surgir naturalmente do contexto.
Boas práticas para dominar as figuras de linguagem
Leia autores diversificados
A melhor maneira de aprender é através da leitura atenta. Observe como grandes escritores usam recursos expressivos do português de forma criativa e eficaz.
Pratique com exercícios específicos
Tente reescrever parágrafos simples usando diferentes figuras de linguagem. Por exemplo, transforme uma descrição objetiva em algo metafórico.
Analise textos publicitários
Os anúncios são mestres no uso eficiente de figuras de linguagem, pois precisam causar impacto rápido. Estude slogans e campanhas premiadas.
Peça feedback
Compartilhe seus textos com pessoas que tenham bom conhecimento da língua portuguesa e peça opinião sobre o uso das figuras de linguagem.
Como escolher a figura certa para cada situação
Para textos técnicos e acadêmicos
Prefira figuras mais sutis como metonímia, perífrase e eufemismo. Evite excessos poéticos que podem comprometer a objetividade.
Para textos criativos e literários
Aqui você tem mais liberdade para explorar metáforas, comparações elaboradas e jogos sonoros como aliteração e assonância.
Para discursos e apresentações
Figuras como anáfora, antítese e paralelismo funcionam muito bem oralmente, pois criam ritmo e facilitam a memorização.
Para textos publicitários
Paronomásia, metáforas impactantes e comparações claras são excelentes para criar slogans e mensagens que ficam na mente do público.
Figuras de linguagem no cotidiano: você usa mais do que imagina
Mesmo sem perceber, usamos figuras de linguagem diariamente em expressões como “cair na real”, “dar uma mão”, “cabeça nas nuvens”. Essas são metáforas convencionalizadas que fazem parte do nosso repertório linguístico comum.
A diferença entre o uso consciente e o inconsciente está justamente na capacidade de escolher e aplicar intencionalmente essas ferramentas para alcançar objetivos específicos de comunicação.
O papel das figuras de linguagem na evolução da língua
Muitas expressões que hoje consideramos comuns começaram como figuras de linguagem inovadoras. Com o tempo, elas se tornaram tão incorporadas ao idioma que perderam seu caráter figurativo original.
Este processo mostra como as figuras de linguagem não são apenas ornamentos, mas agentes ativos na transformação e enriquecimento contínuo do português.
Recursos para aprender e praticar
Livros essenciais
- “Figuras de Linguagem” de José de Nicola e Ernani Terra
- “Retórica das Paixões” de Affonso Romano de Sant’Anna
- “A Arte de Argumentar” de Antônio Suárez Abreu
Sites e ferramentas online
Além de dicionários online especializados, existem comunidades de escritores onde você pode compartilhar textos e receber feedback sobre o uso de figuras de linguagem.
Conclusão: da teoria à prática
Dominar figuras de linguagem é como aprender a pintar com palavras. No início, você conhece as cores básicas (as figuras mais simples). Com prática, aprende a misturá-las (combinações criativas). E com maestria, cria verdadeiras obras de arte verbais.
Lembre-se: o objetivo não é mostrar quanto você sabe, mas comunicar melhor. As figuras devem servir à mensagem, não o contrário. Quando bem aplicadas, elas transformam a comunicação comum em algo extraordinário.
Para aprimorar ainda mais sua escrita e garantir que suas figuras de linguagem estejam sendo usadas corretamente, considere utilizar um corretor de textos especializado que possa ajudá-lo a identificar oportunidades de melhoria e evitar equívocos comuns no uso desses recursos expressivos do português.
Se você quer levar sua escrita para o próximo nível, experimente usar um Corretor IA. Essa ferramenta não apenas corrige erros gramaticais, mas também pode sugerir melhorias estilísticas, incluindo o uso mais eficiente de figuras de linguagem. Assim, você ganha tempo e confiança para criar textos mais impactantes e memoráveis.








